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3 – canção: graus de ação do instrumento no processo criativo 

Em processos composicionais na “tradição escrita”, assim como na “tradição não escrita”, a criação musical pode acontecer através da “escuta interna”, de modo a prescindir do manuseio do instrumento ou do emprego da voz no ato criativo. Entretanto, diante dos depoimentos recolhidos, apontaremos abaixo três categorias básicas que integram o processo criativo de canção, relacionadas à ação e uso neste processo de um instrumento melódico-harmônico – como o violão ou o piano. Essas categorias não são estanques, já que uma mesma música – como veremos – pode se valer de recursos de todas elas para apresentar, por exemplo, partes contrastantes. O que vale ressaltar é que, de modo geral, uma maior presença do instrumento na busca melódica favorece contornos que revelam uma “natureza harmônica” da melodia.

1- Melodias compostas com a voz (ou “na cabeça”) [i] – uso do apoio rítmico para o jogo de estímulos estabelecido entre o ritmo da melodia e a rítmica referencial do gênero, que pode ou não ser baseado em um desenho fixo de “time-line” (ou clave). O contorno melódico resultante desse jogo passa a orientar uma harmonização posterior dentro do repertório harmônico habitual do gênero.

2- Melodias compostas com a voz, contando com apoio rítmico-harmônico de instrumento – reproduz aspectos da categoria apresentada acima, transformado pela utilização de um instrumento que possibilita a obtenção de um sentido harmônico que seja atributo de identidade da obra, como uma das “partes inseparáveis da composição”. [i]

3- Melodias compostas com instrumento interagindo com a voz na busca melódica – não dispensa nenhuma das possibilidades elencadas acima, mas, ao contar com os recursos próprios do instrumento que agora age diretamente na busca melódica, pode gerar – para além da canção – também uma peça instrumental que muitas vezes ganha vida autônoma.[i] Aqui, decorrente da reflexão gerada a partir da pesquisa em processos composicionais de canção popular, apresentamos o conceito de “instrumento ativo na busca melódica”[i]

  1. LINK com a ideia “Mauro Duarte, João Nogueira faziam tudo na cabeça” apresentado em – 3.5 – parece fácil, mas é impossível – no depoimento de Guinga;

    LINK com a ideia “(Baden) fazia muitas das coisas na cabeça” apresentada em – 3.3 – a canção sem violão – no depoimento de P. C. Pinheiro.

  2. LINK com essa mesma ideia em – 1.2 – um violão que se engrena na canção – no depoimento de João Bosco.

  3. LINK com a ideia “essa música não tinha a menor pretensão em ser canção” apresentada em –3.1 – a não canção? – no depoimento de Guinga.

  4. Ideia que começa a ser gestada no plano teórico em 2007 por ocasião da oficina intitulada Elaboração melódicoharmônica na canção brasileira que ministrei em diferentes universidades brasileiras através do PAC – Programa de  Ação Cultural – da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

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